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Concerto de abertura da 6.ª edição do FIOMS – Festival Internacional de Órgão e Música Sacra

17 Outubro @ 21:30 – 22:30

Sinopse
O concerto de abertura da 6.ª edição do FIOMS propõe uma viagem por três momentos fundamentais da literatura organística europeia. De Johann Sebastian Bach, síntese incomparável da tradição barroca, a César Franck, figura maior do romantismo francês, culminando na linguagem sinfónica e visionária de Louis Vierne, este recital revela a extraordinária capacidade do órgão para unir arquitetura sonora, profundidade espiritual e expressão artística. Na Igreja da Lapa, espaço onde a música sacra encontra uma ressonância particular, o programa percorre quase dois séculos de criação musical, testemunhando a permanente renovação da arte organística.

Programa

Johann Sebastian Bach (1685–1750)
Toccata, Adagio e Fuga em Dó maior, BWV 564

César Franck (1822–1890)
Choral n.º 3 em Lá menor, FWV 40

Louis Vierne (1870–1937)
Sinfonia n.º 1 para órgão, Op. 14
Prélude – Allegro vivace – Final

Notas ao Programa
Entre as obras mais originais e monumentais do repertório bachiano para órgão, a Toccata, Adagio e Fuga BWV 564 ocupa um lugar singular. Composta provavelmente durante o período de Weimar, distingue-se pela sua estrutura invulgar e pela influência de modelos italianos então em voga.
A extensa Toccata inicial apresenta um caráter virtuosístico e improvisatório, explorando toda a riqueza tímbrica e técnica do instrumento. Segue-se um Adagio de rara beleza contemplativa, concebido quase como um concerto de câmara, onde uma linha melódica expressiva se desenvolve sobre um acompanhamento delicado. A obra conclui-se com uma ampla Fuga que alia rigor contrapontístico e energia jubilosa, culminando numa síntese exemplar entre ciência composicional e força expressiva.
Esta partitura revela um Bach profundamente inovador, capaz de transformar influências externas numa linguagem pessoal de extraordinária grandeza.
Escrito nos últimos meses de vida do compositor, o Choral n.º 3 integra o célebre conjunto dos Trois Chorals, verdadeiro testamento musical de César Franck. Publicadas em 1890, estas obras representam o culminar da escola organística francesa do século XIX e uma síntese amadurecida do pensamento artístico do compositor.
O terceiro Choral é frequentemente considerado o mais dramático e luminoso do tríptico. A partir de um motivo simples e incisivo desenvolve-se uma vasta arquitetura sonora, onde se alternam passagens de grande intensidade emocional, episódios contemplativos e momentos de impressionante exuberância.
A escrita caracteriza-se pela riqueza harmónica, pelas subtis transformações temáticas e por uma profunda dimensão espiritual. Mais do que uma mera forma coral, Franck constrói uma meditação musical de grande amplitude, conduzindo o ouvinte de conflitos e tensões para uma afirmação final de serenidade e esperança.
Discípulo de César Franck e de Charles-Marie Widor, Louis Vierne é uma das figuras centrais da tradição organística francesa. Organista titular de Notre-Dame de Paris durante mais de três décadas, desenvolveu uma linguagem profundamente pessoal, marcada por grande riqueza cromática, intensidade emocional e sentido arquitetónico.
A Primeira Sinfonia para Órgão, composta em 1898-1899, representa uma afirmação decisiva do jovem compositor e demonstra a influência do conceito de “órgão sinfónico”, associado aos grandes instrumentos de Aristide Cavaillé-Coll.
O Prélude abre a obra com nobreza e amplitude, estabelecendo desde o início uma atmosfera de grande densidade expressiva. O Allegro vivace introduz um contraste marcado, com uma escrita dinâmica, vigorosa e brilhante, repleta de energia rítmica e virtuosismo. O Final conduz a sinfonia para uma conclusão grandiosa, onde se conjugam poder sonoro, tensão dramática e uma impressionante capacidade de construção musical.
Nestes três andamentos encontramos já as características que fariam de Vierne um dos mais importantes compositores para órgão do século XX: o colorido tímbrico, a ambição formal e a capacidade de transformar o instrumento numa verdadeira orquestra.

Biografia
Mestre de Capela e Organista Titular da Igreja da Lapa, no Porto, desde 2002, Filipe Veríssimo tem desenvolvido, em estreita colaboração com o Cónego Dr. António Ferreira dos Santos, um trabalho singular na valorização e promoção da música de órgão e da música coral sacra e litúrgica em Portugal.
É licenciado em Música Sacra pela Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa, onde estudou órgão com Franz Lehrndorfer, Martin Bernreuther e Jeremy Blasby; direção coral com Jörg Straube, Jorge Matta e Eugénio Amorim; e direção de orquestra com Cesário Costa. Prosseguiu os seus estudos de órgão em Paris com os organistas Olivier Latry e Eric Lebrun. Frequentou ainda o Mestrado em Musicologia Histórica na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e o Mestrado em Música Sacra na Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa.
É Mestre de Capela Honorário da Venerável Ordem Terceira de São Francisco, Diretor Artístico do Ciclo de Música de São Francisco, membro da Comissão Organizadora das Comemorações dos 530 anos da Santa Casa da Misericórdia do Porto e membro do Conselho Municipal de Cultura do Porto, na qualidade de personalidade de reconhecido mérito cultural, distinguido pelo seu percurso e pelo contributo relevante que tem prestado à vida cultural da cidade e do país.
Foi professor da Escola Superior de Educação do Politécnico do Porto, da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa e do Seminário Maior do Porto.
O Instituto Politécnico do Porto atribuiu-lhe o título de Especialista em Música, em reconhecimento da excelência do seu percurso profissional e da relevância pedagógica do seu trabalho para o ensino superior de música em Portugal.
Em 2021 fundou o FIOMS – Festival Internacional de Órgão e Música Sacra da Área Metropolitana e Diocese do Porto, do qual é Diretor Artístico.

Filipe Veríssimo, órgão
Concerto de Abertura da 6.ª Edição do FIOMS
Igreja da Lapa, Porto
17 de outubro de 2026, 21h30

“O órgão é uma catedral de sons; neste programa, Bach ergue os seus alicerces, Franck ilumina os seus vitrais e Vierne faz ressoar toda a sua grandeza.”

Largo da Lapa nº 1
Porto, Porto 4050-069 Portugal
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