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Concerto Comemorativo do 41.º Aniversário do Órgão da Sé do Porto

19 Outubro @ 21:30 – 22:30

Sinopse

No âmbito das comemorações do 41.º aniversário do órgão da Sé do Porto, o organista Juan Paradell Solé, Organista Titular Emérito da Cappella Musicale Pontificia Sistina do Vaticano, apresenta um programa que percorre alguns dos mais notáveis capítulos da tradição organística europeia. Da exuberância da escola espanhola do século XVIII à universalidade de Johann Sebastian Bach, passando pela inspiração popular de Guridi e pelo esplendor sinfónico de Vierne, este recital celebra o órgão como instrumento de encontro entre culturas, épocas e linguagens musicais. Um programa de grande riqueza tímbrica e expressiva, especialmente concebido para destacar as potencialidades do majestoso instrumento da Catedral do Porto.

Programa

José de Nebra Blasco (1702–1768)

Batalla de clarines

José Lidón (1748–1827)

Allegro

Antonio Vivaldi (1678–1741)

Aria “Sovvente il sole”

(de Andromeda liberata*, RV Anh. 117)* Transcrição para órgão de Marco Machella

Johann Sebastian Bach (1685–1750)

Pièce d’Orgue, BWV 572

Siciliana (transcrição para órgão de Louis Vierne)

Prelúdio e Fuga em Lá menor, BWV 543

Jesús Guridi (1886–1961)

Variaciones sobre un tema Vasco

Louis Vierne (1870–1937)

Carillon de Longpont, Op. 31 n.º 21

Notas ao Programa

José de Nebra é uma das figuras mais importantes da música espanhola do século XVIII. Organista, compositor sacro e homem de teatro, desenvolveu uma linguagem que combina o legado ibérico com influências do barroco italiano.

A Batalla de clarines insere-se numa tradição muito característica da Península Ibérica: as chamadas “batalhas”, peças que evocam ambientes militares através da imitação instrumental de trombetas, tambores e fanfarras. A obra explora brilhantemente os recursos sonoros do órgão, criando um discurso vibrante e festivo que transporta o ouvinte para um universo de solenidade e celebração.

Compositor e organista da Capela Real de Madrid, José Lidón representa a transição entre o final do barroco e as novas correntes clássicas. A sua música distingue-se pela clareza formal, elegância melódica e equilíbrio estrutural.

Neste Allegro, o compositor evidencia um estilo luminoso e fluente, onde o virtuosismo se alia à nobreza do discurso musical. A obra revela uma escrita refinada, marcada por contrastes subtis e por um apurado sentido da arquitetura sonora.

A célebre ária Sovvente il sole pertence à serenata Andromeda liberata, obra associada ao círculo veneziano de Vivaldi e que testemunha o esplendor da música teatral italiana do início do século XVIII.

Na transcrição de Marco Machella, a expressividade da linha vocal é recriada através dos recursos cantáveis do órgão. O instrumento assume aqui uma dimensão lírica e intimista, revelando a sua capacidade para sustentar longas frases melódicas e delicadas inflexões expressivas. Surge assim um momento de recolhimento poético no centro do programa.

Conhecida também como Fantasia em Sol maior, a Pièce d’Orgue ocupa um lugar singular na produção de Bach. Estruturada em três secções contrastantes, combina liberdade imaginativa e impressionante rigor construtivo.

A secção inicial apresenta uma escrita viva e brilhante; segue-se um majestoso episódio central de caráter quase arquitetónico, construído sobre acordes de extraordinária densidade sonora; por fim, uma secção mais serena conduz a obra ao seu desfecho com elegância e equilíbrio.

A delicadeza da Siciliana encontra na transcrição de Louis Vierne uma nova dimensão tímbrica. O ritmo ondulante característico da siciliana cria uma atmosfera de suave contemplação, revelando um Bach íntimo e profundamente cantável.

Vierne, grande admirador do mestre alemão, preserva a essência da obra ao mesmo tempo que explora as possibilidades colorísticas do órgão romântico francês.

Entre as obras mais célebres do repertório organístico universal, o Prelúdio e Fuga em Lá menorconstitui um extraordinário exemplo da maturidade criativa de Bach.

O Prelúdio caracteriza-se pelo seu impulso dramático e pela energia incessante das suas figuras musicais. A Fuga, construída sobre um tema de grande força expressiva, desenvolve-se com admirável lógica contrapontística até alcançar uma conclusão de impressionante grandeza. Nesta obra, virtuosismo, clareza formal e profundidade artística encontram uma síntese exemplar.

Jesús Guridi é uma das personalidades mais marcantes da música espanhola do século XX. Profundamente ligado à cultura basca, integrou elementos da tradição popular numa linguagem harmonicamente rica e de grande expressividade.

Nas Variaciones sobre un tema Vasco, um tema simples e característico serve de ponto de partida para uma sucessão de transformações que exploram diferentes atmosferas, texturas e cores sonoras. O resultado é uma obra simultaneamente popular e sofisticada, onde identidade cultural e mestria composicional se unem de forma exemplar.

Poucas obras encerram um recital de órgão com tanto brilho como o famoso Carillon de Longpont. Integrada nos Vingt-quatre pièces de fantaisie, esta página inspira-se nos sinos da igreja de Longpont-sur-Orge, próximo de Paris.

Através de padrões rítmicos repetidos e de uma escrita virtuosística cintilante, Vierne recria o movimento e a ressonância dos sinos num contínuo crescendo de energia e luminosidade. A peça alia brilhantismo técnico, imaginação tímbrica e um irresistível sentido festivo, constituindo uma conclusão ideal para um concerto comemorativo.

Biografia

Organista titular emérito das celebrações litúrgicas presididas pelo Papa na Basílica de São Pedro, no Vaticano, e da Capela Musical Pontifícia Sistina.

Foi organista titular da Basílica Papal de Santa Maria Maior, em Roma, durante mais de trinta anos.

Professor de Órgão e de Canto Gregoriano no Conservatório de Música «L. Refice», em Frosinone.

Presidente da Accademia Romana C. Franck (Itália), Presidente Honorário da associação Les Amis de l’Orgue Merklin d’Obernai (França) e membro do patronato do Festival Internacional de Órgano de Morelia Alfonso Vega Nuñez (México).

Em 2021, Sua Santidade o Papa Francisco concedeu-lhe a distinção Augustae Crucis Insigne Pro Ecclesia et Pontifice, em reconhecimento do seu exemplar empenho e trabalho ao serviço da Igreja e do Santo Padre.

Académico Correspondente Estrangeiro da Accademia Archeologica Italiana, na Secção de Disciplinas Artísticas.

Natural de Igualada (Barcelona, Espanha), iniciou os seus estudos musicais com o gregorianista Padre Albert Foix. Estudou órgão com a Professora Montserrat Torrent no Conservatório de Música de Barcelona.

Em 1973 mudou-se para Roma para prosseguir os estudos de Órgão e Composição com o Professor Monsenhor V. Miserachs. Após concluir a sua formação em Roma, continuou o aperfeiçoamento durante três anos na Alemanha com o Professor G. Kaunzinger.

Desenvolve uma intensa actividade concertística por toda a Europa, Rússia, Síria, Líbano, Estados Unidos da América e América do Sul, participando em importantes festivais internacionais de órgão.

Foi membro do júri de diversos concursos internacionais de órgão, nomeadamente em Cremolino (Itália), Moscovo e Vilnius.

Realizou gravações para a RAI (rádio e televisão pública italiana), para a Rádio Vaticano, para a rádio de Berlim, para a Bayerischer Rundfunk, para a Rádio São Paulo do Brasil e para a Catalunya Música. Participou igualmente em programas televisivos em Itália e Espanha.

Em colaboração com o coro Polifonisti Romani, gravou dois CD dedicados à música de Lorenzo Perosi e Valentí Miserachs.

Gravou ainda um CD de órgão a quatro mãos para a editora francesa Pamina, outra gravação para a ElleDiCi, bem como vários CD e DVD com a Capela Musical Pontifícia Sistina, editados pela Deutsche Grammophon, Libreria Editrice Vaticana e CTV, entre outras entidades.

Juan Paradell Solé, organista Titular Emérito da Cappella Musicale Pontificia Sistina (Vaticano)

Sé Catedral
 19 de outubro de 2026, 21h30

“Ao longo de mais de três séculos de música, este programa celebra o órgão como voz da Europa: das fanfarras ibéricas ao contraponto de Bach, da inspiração popular de Guridi aos sinos resplandecentes de Vierne.”

Entrada livre
Terreiro da Sé
Porto, Porto 4050-573 Portugal
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